"Então não era eu que estava errado"

Para quem precisava dessa confirmação, espero que este lugar seja um pequeno critério para voltar a confiar nas próprias percepções .

💬 Por acaso é a sua história?

São frases recompostas a partir de experiências reais. Algumas contêm expressões ofensivas. Se estiver difícil ler agora, tudo bem pular esta parte e descer a página.

«Quando foi que eu disse isso com essa intenção? Por que você sempre distorce o que eu falo e faz esse teatrinho de vítima

— quando duvidam da sua memória

«Fazendo drama por bobagem. Que canseira. Até quando eu vou ter que ser a sua lata de lixo emocional?"

— quando ignoram o que você sente

«Ahhh... (suspiro looongo) Não está vendo que quem está aí surtando por nada é você, p***? É por você agir assim que a conversa nunca dá certo e termina uma m****. Faz o favor de procurar um psiquiatra."

— quando você vira sempre a causa do problema

«Ah, p***, deixa, esquece. Idi*** fui eu de esperar alguma coisa de você. Você não fazer nada e ficar quietinho já ajuda. Só respira e não faz na~~~da, nadinha. Aliás, não. Nem respira, vai."

— quando negam a sua própria existência

Não vou encerrar isso com um consolo qualquer. Não vou virar as costas para aqueles momentos em que o gaslighting da outra pessoa fez você desabar e balançar até enlouquecer.

Você não precisa se culpar achando que isso aconteceu porque é sensível demais ou insuficiente.

Por que criei este espaço

Olá. Como alguém que passou pela mesma dor antes, sou quem mantém o narcissisttools.org, 'X'.

Nos últimos dez anos, eu tive de aguentar muito tempo duvidando do meu julgamento e da minha intuição, no meio de acusações, xingamentos, humilhações e maldições de uma pessoa narcisista. Aquele tempo abalou muito a minha vida, mas, depois de atravessar essa dor, veio a decisão de ajudar quem passa pelo mesmo.

O meu apelido 'X'é o nome do passado que o gaslighting apagoue, ao mesmo tempo, a incógnita que pode ser preenchida de novo com qualquer coisa. Em vez de continuar a vida inteira como vítima que se culpa, é a declaração firme de retomar as rédeas da minha vida usando fatos e dados objetivos como arma.

Para cumprir essa decisão, fiz tudo passo a passo: a preparação, o planejamento e a construção do site, as ferramentas gratuitas de recuperação e os textos de orientação. Tiro tempo de onde dá para lapidar as frases e sigo mantendo o site, sempre conferindo se ele é de fato útil para quem precisa.

"Quem não passou por isso nunca vai saber o que dói."

Quem já viveu perseguição velada ou abuso de poder no trabalho reconhece pela cara de quem está passando pelo mesmo. De fora pode parecer que «todo mundo ouve coisa parecida, não é», mas quem viveu sabe. Sabe daquele clima sufocante de medir cada gesto todos os dias, de pedir desculpas primeiro mesmo sem ter feito nada errado e de acabar duvidando de si com um «será que eu sou sensível demais?».

Eu também aguentei muito tempo esse clima sufocante dentro do gaslighting de uma pessoa narcisista, e por isso não consegui virar as costas para quem sofre em situação parecida comigo.

A ferida se transmite de geração em geração? O que o trote, o assédio na residência médica e a praxe militar mostram

Como o trote nas faculdades, o assédio moral com quem está na residência médica ou a praxe com os recrutas, a violência costuma se transmitir. E essa transmissão não fica só na violência física. O «gaslighting» também corre o risco de se transmitir.

Alguém que cresceu medindo cada gesto sob a imposição dos pais às vezes, adulto, aperta o pescoço dos próprios filhos e do cônjuge.

Quem nunca recebeu na vida um pedido de desculpas de verdade não raro, já adulto, não admite os próprios erros, joga a culpa nos outros e faz sofrer quem está por perto.

Ainda assim, ter passado por feridas não transforma ninguém automaticamente em agressor. A associação com essa transmissão é estatisticamente nítida, mas de tamanho limitado: em muitos casos o que se viveu na infância não se repete. Pelo contrário, quem percebe com mais precisão o que viveu costuma ser quem primeiro ganha força para não passar esse padrão adiante.

O narcissisttools.org começou para ajudar você, que atravessa um tempo difícil agora, a entender esse padrão com precisão e a se proteger, em vez de se culpar.

É um espaço para ajudar quem, abalado pelo gaslighting de alguém, se culpava com um «será que eu é que sou estranho?» a erguer os próprios critérios e a enxergar com clareza o que foi, de fato, aquilo que viveu .

Romper com firmeza esse ciclo de violência emocionalque vem se arrastando teimosamente desde as gerações anteriores, ao menos para que não se transmita às pessoas que amo e à próxima geração.

Isto é uma declaração de que não vou permanecer para sempre no lugar de vítima, e uma decisão firmede nunca repetir a dor que sofri.

Espero que este espaço seja um pequeno refúgiopara quem quer romper esse ciclo.

* Observação: uma metanálise que examinou 142 estudos e dados de mais de 220 mil pessoas também confirma estatisticamente a tendência de transmissão da violência entre gerações. Os pesquisadores acrescentam, porém, que o tamanho dessa associação não é grande (modest). Ou seja: a transmissão é um risco real, mas não um destino, e esse ciclo pode ser rompido com a nossa decisão. Ver o artigo, abre em nova janela

Espalhar este espaço

Não é por um grande senso de missão. É só que não consegui virar as costas para quem, como eu no passado, esteja se culpando por conta própria.

Nos últimos dez anos houve suspiros compridos e silêncios sufocantes. Houve também xingamentos, ameaças e maldições que, sob o disfarce de falar com outra pessoa, eram despejados sobre mim de propósito. Naquele tempo duro, eu me culpava sem parar e desabava sem conseguir reagir.

Mas, depois de me perder por muito tempo naquele túnel escuro e profundo, entendi uma verdade fundamental.

Que aceitara realidade dura de que «essa pessoa não muda com facilidade» é o primeiro passo para me proteger e voltar para a vida.

Por que decidi não guardar isso como uma ferida só minha

No meio de frases infinitas como «você não consegue fazer nada» e «o problema é você», eu ia ficando cada vez mais sem ar. Mas foi bem naquele fundo do poço, quando senti que não aguentava mais, que encontrei forças para viver de novo.

Depois de sair daquela relação, vi muitas pessoas perdidas como eu. Vendo gente que balançava no mesmo lugar por muito tempo porque ninguém deixou um marco decente no caminho, finalmente decidi.

Não guardar a dor que vivi como uma ferida só minha, e sim organizá-la em palavras e ferramentas que quem precisa consiga reconhecer.

Deixar este pequeno espaço, do jeito que eu conseguir, para que quem vier depois não se perca tanto tempo na mesma escuridão.

No dia a dia eu também sou uma pessoa comum, vivendo a minha vida.

Mas, quando chegava a noite silenciosa depois do trabalho, eu escrevia baixinho para não deixar essa experiência se perder.

"Se eu deixar registrada essa dor em palavras simples e em ferramentas, talvez quem vier depois se perca um pouco menos."

Por causa da sequela do gaslighting, ficou o hábito de duvidar de mim com um «será que o meu julgamento está certo?», e hesitei incontáveis vezes até colocar este site no mundo.

Mas acreditei que, se ele pudesse ser para uma única pessoa perdida — como eu fui — o marco que diz "A culpa não é sua", já haveria motivo suficiente para este espaço existir.

Ter saído por conta própria de um túnel longo e escuro não era o fim.

Em vez de ficar no alívio de ter saído, quis indicar um caminho claro para quem ainda está naquela escuridão sem achar a saída.

Com o sentimento de quem se perdeu primeiro em um caminho longo e deixa uma pequena placapara quem vem atrás, deixo aqui, um a um, os fatos que consegui agarrar com dificuldade.

Que a autocobrança sem fim vá parando aos poucos e que nasça a força de olhar a realidade com calma. Que os critérios daqui sejam, para quem está abalado agora, um pequeno apoio para se proteger.

Desejando de coração a sua recuperação, X

🤔 Por que você pode confiar nas suas percepções

Quem passa muito tempo sob gaslighting acaba duvidando até do próprio julgamento e da própria intuição. «Será que eu sou sensível demais?», «Será que a minha memória está errada mesmo?». Quando a outra pessoa vira a realidade do avesso o tempo todo, qualquer um passa a ter dificuldade de confiar no próprio julgamento.

A ansiedade, a revolta e a raiva que você sentiu ali não vieram de fraqueza sua: eram um sinal de alerta normal, que o corpo e a mente enviaram desesperadamente para proteger você de uma situação anormal.

A sua intuição e o seu julgamento não ficaram cegos nem errados.

Aquela ansiedade e aquela revolta profundas que você sentiu foram um alerta natural do corpo e da mente para sobreviver a uma pressão e a uma violência fora do normal.

Este é um espaço para ajudar você a organizar em palavras mais claras o que viveu e a reconstruir os critérios que protegem você.

Conte em silêncio para quem precisa

Por melhores que sejam os textos e as ferramentas, eles não servem de nada se quem precisa não os encontra.

Se você conhece alguém que se culpa perguntando «será que eu sou estranho?», passe este lugar em silêncio.

Não precisa ser um post ou um compartilhamento público nas redes. Qualquer forma que não pese para você já basta.

Espero que este lugar não termine em um consolo passageiro, e sim que continue sendo onde você volta, a cada vez que vacilar, para reconferir os seus critérios. Vou cuidar dele com constância, para que seja um espaço ao qual dê para voltar quando precisar.

A sabedoria de partir do passado rumo ao futuro

Viver só nas feridas e nas dores de antes é como dirigir olhando só para o retrovisor.

Se o olhar fica todo nas feridas antigas, você perde a força de conduzir o presente e passa a vagar na névoa da raiva e do arrependimento. Por outro lado, apagar completamente o caminho já percorrido leva a cair de novo em armadilhas parecidas ou a repetir a mesma dor.

A recuperação de verdade está em conferir o caminho já percorrido pelo retrovisor, mantendo o olhar sempre à frente.